Introdução
Tudo começou no MM (Motonline Meeting) Piracicaba, em maio deste ano, quando fiz à Ana Pé de Pano a proposta indecente de entrevistá-la para o meu TCC. Queria contar no meu livro a história dela e do Fernando, que começou com a moto em comum...
Depois disso amolei o João Tadeu Boccoli para um bate-papo também, já que ele é uma enciclopédia ambulante sobre motos!
Depois de idas e vindas no meu trabalho, finalmente parti para a fase das entrevistas, e a data do que eu chamo de Santos Repórter Motonline Meeting (13/09) foi acertada no encontro de Jundiaí (31/08). Neste dia eu entrevistaria o JT e os Pé de Pano, e minha chegada a Santos ficaria a cargo do super-guia Elcio. Mais tarde eu descobriria que “super-guia” é muito pouco, quase nada, deveria chamá-lo de São Elcio ou alguma coisa do tipo, porque este é um verdadeiro anjo da guarda!
Até aí tudo bem, mas eu não contava que teria mais surpresas agradáveis e super bem-vindas para este final de semana. Nada menos que o aniversário do André e a presença do Paulo Couto e a sua esposa Cláudia. Tudo de ótimo!
Durante a semana fizemos os acertos de horários e locais de encontro (que eu descumpriria descaradamente!) enquanto eu levava a Kashmir para um check-up, além da confirmação de quem iria, aonde iria e a que horas iria.
Tanto aqui como lá, fez um calor do kct durante a semana, mas a previsão pro fds era de tempo no mínimo nublado, ou com chuva. E frio a tira-colo! Mas quem liga, o tempo foi um mero detalhe!
EPISÓDIO 1
Pé na estrada
O início da jornada propriamente disso começou às 7 da manhã de sábado, quando eu saí de casa com uma hora e meia de atraso e uma culpa sem tamanho de dar um chá de cadeira no Elcio, que ficou tomando café no Serra Azul das 6h30 da manhã até quase 8h30, que foi a hora que cheguei lá.
Acho que muitas pessoas poderiam ter me deixado pra trás numa mancada dessas, mas chegando lá encontrei o Elcio com humor inabalável, mesmo tendo madrugado e esperado tanto tempo! Acho que ele só estava meio enjoado de café, mas ainda assim tomamos um capuccino antes de seguir pra SP e depois pra Santos. E ele já tinha avisado o povo (os Pé de Pano e JT, Paulo Couto e esposa e o André que encontraríamos no Frango Assado da Imigrantes) do “pequeno” atraso.. Então seguimos, eu com a CG, e o Elcio com a Lander.
O tempo estava bem nublado, com algumas nuvens mas coisa que eu não tinha era frio, tamanha a ansiedade. Como já estava tarde, o Elcio optou chegar à Imigrantes passando pela Av. do Estado e Centro de SP, trajeto que seria o mais rápido considerando o movimento das estradas. Cogitamos uma parada para fotos no Mercado Municipal, mas como a situação estava meio punk por lá, deixamos quieto.
Devo confessar que não deixa de ser uma redenção. Pô, que que eu tava fazendo no centro de SP, passando por corredor com o tempo fechando? E uma coisa posso dizer: eu estava tão sossegada quanto um bebê que dorme, pois o Elcio como guia me transmitiu uma tranqüilidade sem tamanho! Não tivemos problema algum no trajeto (a não ser uns caminhões fdp que teimam em ultrapassar quando bem entendem ao invés de sossegar na faixa da direita, que é onde têm de ficar). Mas na verdade, nenhum susto.
Em SP tinha alguns trechos mais críticos, é claro, mas bem pouco e nada do outro mundo. Esperávamos que tivesse beeeeeem mais caminhões por não ter rodízio, mas até que não tinha tanto.
Só paramos novamente um pouco antes de sair da cidade rumo à Imigrantes, para colocar a capa de chuva, já que o chuvisco estava apertando. Em coisa de 20 minutos chegamos ao Frango Assado da Imigrantes, onde JT, André, Paulo Couto e Cláudia nos esperavam (há muito tempo, pelo jeito!).
EPISÓDIO 2
Rumo à Serra
Chegando lá, ouvi as merecidas broncas do JT, mas dei-lhe um abraço bem molhado e ficou tudo certo! Hehe.. Além do prazer em conhecer o Paulo e sua esposa, conversamos um pouco, e descobrimos que no Rio não há essa chuva de motoboys que tem por aqui! Tomamos [mais] um café e tiramos algumas fotos à la tiete, e outras comprometedoras do André! Hauhauhau.. Eu e o Elcio abastecemos as motos; mesmo a CG estando com meio tanque, eu desconhecia a distância, então era melhor garantir. Mas no fim das contas fiz tooooda a viagem, da saída de casa até a volta pra casa, gastando apenas um tanque e meio.
O André, com sua inseparável TW, mora por ali, praticamente na porta da saída pro litoral, então tb estava tranqüilo. JT e cia foram na frente, de carro, e eu e os rapazes saímos em seguida.
Eu tinha ido ao litoral duas vezes na vida: a primeira, de carro com a família há pelo menos 10 anos atrás, e a última há uns 4 anos, de busão com a minha irmã. Ou seja, dessa última vez lembro da serra pela janelinha e só.
A primeira surpresa que tive na Imigrantes foi o preço do pedágio. 17 pila!!! Aí imaginei uma moto pagando 8 conto pra ir pra ir pra praia.. Se é alguém que sai de SP não gasta isso de gasolina! É um absurdo! Tudo bem que a estrada é boa, mas eu desconhecia pedágio que fosse um roubo desses!
No mais não tivemos problema algum na pista, apesar do tempo feio não pegamos mais chuva desde a saída do Frango Assado.
Estava tudo lindo e maravilho, até a chegada à Serra do Mar. O cagaço veio quando vi aquele véu branco da névoa, densa, fechada. O Elcio já tinha dado sinal da placa avisando a neblina, mas na hora que vi a situação da coisa já pensei.. agora f***!
A visibilidade era terrível, mas o tráfego ali era de no máximo 60km/h, então fomos bem sossegados, o Elcio na frente, eu e o André. Não estava movimentado e passamos numa boa, e a situação foi melhorando com a passagem pelos túneis.
Eu nem lembrava de como era a Serra, muito menos da estrada, e a minha única decepção ali foi não poder fotografar! Mas recordar é viver!
Não senti frio, afinal estava com duas blusas, jaqueta de couro e capa de chuva. Mesmo estando sem luva (a minha luva não é pra uso na chuva), não senti incômodo algum, nem frio nas mãos – apesar que já estava tarde, era quase hora do almoço, por isso acho que não estava mais tão frio. Já se fosse de manhãzinha..
Cerca de 60km depois, chegamos à Santos. E me surpreendi com o trânsito de lá, mais do que como de SP!!
EPISÓDIO 3
A chegada
Carros, carros, ônibus, muuuuitos sinaleiros e muito, muito movimento. Assim chegamos ao nosso destino, e achei a coisa mais crítica ali do que em SP!
Reencontramos o João e demos uma parada para ligar para os Pé de Pano.
Dependendo do tempo, o plano era o seguinte: se o clima estivesse bom, o ponto seria o Quiosque do Careca, na praia de Itararé – o famoso local do 1º SMM, em 2006, na época em que começou a história de amor dos Pé de Pano!
Bom, esse local tem algumas “peculiaridades”, motivo pelo qual, ao que parecia, o JT estava muuuito interessado que nossa base se formasse por ali.. hehe.. Mas o plano B, em caso de chuva, era o Bar do Toninho.
Tricotamos a cidade e mais uma vez ficou a cargo do Elcio a nossa chegada até a casa dos Pé de Pano. Chegamos pertinho, mas pedimos um help e nossos anfitriões foram nos buscar. Enquanto esperávamos, fizemos a sessão “descasca”. Tira capa, tira jaqueta, tira blusa, tira galocha! Ainda estava nublado, mas estava morrendo de calor com tanto volume de roupa – o que deve ter dobrado o meu peso! Só assim mesmo..
Acho que já era mais de meio dia quando finalmente encontramos o Fernando, a Ana e o Davi – alegre e risonho como sempre, a super receptiva família Pé de Pano, a qual tivemos a alegria de matar a saudade. E depois de colocar todas as nossas “bagagens” no carro do João, seguimos direto para o Bar do Toninho.
EPISÓDIO 4
Nada como um boteco!
Chegando lá, o Luiz e sua esposa já nos esperavam. Nos acomodamos, os meninos pediram uma breja (será que era Itaipava???), eu fui de H2O de maçã e começamos com pastelzinho – passando depois para o camarão (q, aliás, eu não como!).
Foi nesse cenário que conversei com o JT, e confesso que não me lembro de alguma vez ter aprendido tanta coisa em tão pouco tempo! Com seus anos de história acompanhando o motociclismo, os seus pontos de vista são uma verdadeira lição de vida, e um verdadeiro raio de razão, lucidez e sensibilidade nessa coisa insana que a mídia nos enfia goela abaixo todos os dias, acerca dos “problemas” do trânsito, motos e motociclistas. Mais detalhes sobre este bate-papo, daqui a alguns meses como término do meu trabalho!! Coming soon..
Neste tempo, infelizmente, um “pequeno desconforto” nos privou da presença do Paulo Couto, temporariamente.
Logo chegou o Léo, de Burgman 400 (confesso que o estilo da moto não me atrai, mas que é chic de doer, isso é!), e mais tarde a Carla e o Luciano, pra completar a festa.
Demos risadas, falamos besteiras, fui ameaçada de morte por tirar mais fotos comprometedoras (hauhauhau!), o JT se engraçou com o pessoal da mesa ao lado [ficou bem na foto, hein??!!]... Finalmente eu e o Léo apreciamos o provolone à milanesa com Malzbier [apesar do Junior, lá de Curitiba, insistir na Itaipava!!]!! A Carla atacou o provolone com a gente, mas como ela apreciou com suco, e não cerveja, teve um pequeno efeito colateral mais tarde!!! Mas numa coisa concordamos: o provolone do Toninho bateu o da rua do Porto!!
Ah, o Davi foi extremamente assediado nesta tarde!! Com aquela lindeza toda, os dentinhos à mostra num sorriso mais lindo que o outro, não há quem resista àquele anjinho! Eu e a Cláudia ficamos na disputa de quem tirava mais fotos e a mais bonita, mas ela ganhou! O importante é que fizemos um verdadeiro book do Davi, que com certeza vale mais que ouro!
No fim da tarde, com garoa, os rapazes tomaram um café na padaria ao lado do bar, que exibia doces no mínimo indecentes.. Tiramos a clássica foto MM time de futebol e seguimos para a casa dos Pé de Pano.
EPISÓDIO 5
QG dos Pé de Pano
Chegamos na casa da Ana, e ela abriu a “porteira” para as motos entrarem.. o que, na hora, deixou o síndico preocupado, até ela explicar que os “invasores” estavam em sua companhia.
Não tive como não lembrar do Bob quando guardamos as motos, elas enfileiradas ali me lembraram na hora a garagem dele lotada no MM de Pira! Taí uma figura que fez falta nesse fds!
Conheci a Meg e a Pitty, as fofas cachorras da casa, e ficamos por lá batendo papo, enquanto caía uma chuvinha fraca – e logo escurecia.
Não bastasse a simpatia sem tamanho dos nossos anfitriões, o lar dos Pé de Pano é igualmente acolhedor. Logo na entrada, no fim de uma escadinha implacável para a maioria de sedentários ali, lia-se: “Aqui mora um casal de motociclistas – Ana, Fernando e Davi”. Mas não é só isso. É chegar e sentir que a paz e harmonia também moram ali. Chuva e frio, só da porta pra fora, porque o que reinava no ambiente era a amizade e companheirismo de todos, pessoas realmente especiais.
EPISÓDIO 6
A saga amorosa e motociclística dos Pé de Pano
Mais tarde, após a ida do pessoal, comecei a amolação com os anfitriões e o Elcio, depois de bater papo com a Ana e assediar mais um pouquinho o Davi enquanto ele filava a sua janta.
O Fernando e o Elcio, que não só foi testemunha ocular dos fatos como participou deles, começaram a dar seus “testemunhos” ao som do DVD do Pink Floyd (fala sério, vai ter bom gosto assim!), enquanto a Ana dava um banho no Davi, que estava bem cansadinho depois do dia agitado. Mais tarde ela se juntou a nós com seus adendos e considerações e eu tive o privilégio de ouvir dos três cada detalhe dos quilômetros dessa história.
A organização de um passeio, o encontro, conversas intermináveis no MSN, viagens, passagens trágicas, cômicas e emocionantes recheiam essa história, que você vai conhecer em detalhes no meu livro, daqui a alguns meses! Haha!
Fiquei b-o-b-a de ouvir! É uma história linda, não só de amor, mas também de amizade, algo muito maior do que a moto, que é um pretexto.
Essa conversa durou adoráveis horas! E mais tarde a Carla e o Luciano apareceram por lá, pra gente dar uma volta, comer alguma coisa e conhecer o famoso Quiosque do Careca.
EPISÓDIO 7
Bem, algumas decepções.. :(
Estava frio, frio mesmo, e eu já sentia a minha garganta arriar. Apesar do mau tempo, a cidade estava movimentada, como deve ser sempre. Muitos carros na rua, e uns gatos pingados na praia.
Aprendi facilmente diferenciar o limite de Santos com São Vicente: a qualidade do asfalto. Aonde começa as crateras, é São Vicente!
Chegando lá, outra surpresa pra provinciana aqui: cobrança de estacionamento 24h pela prefeitura! Isso mesmo! Pra estacionar na beira da praia, seja a hora que for, tem que pagar. Exceto do outro lado da rua, que foi onde o Luciano parou o carro.
Enquanto ele fazia isso, chegamos ao Careca, mas era o Careca errado! E a Carla fazia questão que fôssemos “àquele” Careca, pra ter uma idéia da situação.
A peculiaridade do local é a seguinte: a fauna de bibas é imensa. O point é o quiosque ao lado, mas a coisa prolifera no Careca também.
A Carla se deliciou com ostras (coisa que não me inspira muito!), e comemos um lanche muuuito bom. Papo vai, papo vem e chega um(a). Depois outros(as). Logo o local vai sendo tomado pela viadagem. A Carla olhava pra mim, eu olhava pro Elcio e ficava cada vez mais inconformada.
Eu não tenho problema algum contra gays, travestis, drags, seja lá o que for. Mas as figuras ali eram frescas ao extremo! Como eu disse, milhões de vezes mais delicadas que eu [tudo bem que devo considerar que não sou a mais delicada das pessoas, até por isso me achei mais macho do que eles/as! Tipo Pagu, “sou mais macho que muito homem”!].
Alguns eram até bonitos, o que deixava a dimensão do disperdício ainda mais catastrófica! Só que aquelas mãos flutuando pra lá e pra cá, aqueles olhares cobiçando os homens à volta e aquela puxada de cabelo pra lá e pra cá (que cabelo??), me deixaram horrorizada! Tenho muitos amigos gays que adoro e respeito, mas frescura daquele jeito... dá licença!
Mas depois de sentir o drama, veio o tiro de misericórdia. Sabe aquele cara que você conhece pouco, de quem sabe uma coisa ou outra tipo de onde é, o que faz... Um tipão bem legal, bonitinho e que vc paga um pau? Pois é, ele é! Não, não, não! A Carla nos contou como ela fareja gay de longe, e que não erra. E ela garante que o cara é. Eu não vi, nunca reparei, mas ela descreveu bem os sinais óbvios, confirmados pelos outros. Não tô acreditando até agora, mas é uma decepção sem fim, e vejo que o meu destino vai ser o convento mesmo!
Quando fomos embora estava chovendo. Mas pra mim foi uma chuva de desilusão!
EPISÓDIO 8
Hora do recall
Quando voltamos ao QG dos Pé de Pano, quase 1h da manhã, estávamos só o pó da mandioca. O Davi e a Ana já descansavam há tempos. O Fernando foi dar uma olhada na comu, já que o que seria feito no aniversário do André ainda estava indefinido – a idéia era ir pra Parnapiacaba, mas o tempo não estava nada favorável.
Restou a mim e ao Elcio tomar um banho e dormir, certo? Errado! Eu só avisei que às vezes costumo falar sozinha à noite, pra ninguém se assustar! Mas na verdade ainda ficamos um boooom tempo conversando antes de dormir, até a gente sentir que a voz estava “sumindo”! Mas depois de todo frio, dormi bem quentinha.
EPISÓDIO 9
Aniversário do André – a odisséia!
No domingo de manhã o tempo não estava nada convidativo, e não seria diferente no resto do dia.
Logo que acordei tive uma recepção calorosa da Meg e Pitty, que quase me derrubaram – porque a Meg é enoooorme, e eu ainda estava meio grogue de sono! Dali a pouco Ana e Davi também levantaram, e nosso “Paninho” esbanjava sorriso e disposição, depois de descansar tudo o que tinha direito. Tomamos café, cantamos parabéns para o André pelo telefone, assistimos um pedaço da F1, e o Fernando cuidou com a maior dedicação da lubrificação das correntes da minha moto e do Elcio, além de deixar a viseira dos nossos capacetes novas em folha pra encarar a chuva, com um produto maravilha que ele tem lá e eu esqueci o nome!
Ficou combinado a gente se encontrar com o André e sua família no Mc Café da Av. dos Bandeirantes, às 11h. Quando falaram em Mc eu dei uma torcida no nariz porque me recuso a comer lanche desse estabelecimento. Por questões econômicas e ideológicas! Mas como eu não conhecia, e lá tinha capuccino, vamo que vamo. Mas nem por sonho a gente chegaria lá naquela hora! Aí começa mais uma jornada.
O previsto era sair de Santos às 10h, mas até todo mundo se arrumar, ajeitar as malas, assistir a F1 e tudo mais, saímos mais de 10h30, debaixo de uma chuva fraca, que foi piorando gradativamente.
Enquanto eu e o Elcio seguíamos o carro dos Pé de Pano com a Carla e o Luciano, eu fiquei lembrando dos ensinamentos do Tite sobre pilotagem na chuva. Tipo, andar na marca de pneus dos carros, nunca no meio onde junta óleo. Mas aquelas faixas de pedestre lisíssimas é que me deixaram ligada!
Tanto a cidade como a pista não estavam movimentados, e ora chovia, ora dava uma parada. E nessas paradas o Luciano fez altas fotos minhas e do Elcio pilotando – não estava lá aquele cenário turístico e dadas as condições eu vestia meu modelito “saco de lixo”, mas pela moto, capacete e unhas, não tem erro em me identificar!
Em certas horas a chuva deu uma apertada, e o produto que o Fernando colocou na viseira fez uma diferença danada. O único problema é que a viseira é paralela e estava meio folgada, e eu bebi água até, porque caía mais água dentro do que fora! Fiquei com o focinho molhado e literalmente com água na boca!
O trecho de neblina estava meio punk, mas nada de tão assustador, até que de repente vi uma luzinha rosa se acendendo na traseira do Fernando, digo na traseira do carro do Fernando! Pensei q p*** era aquela!!! Aí cheguei à conclusão que o quiosque do Careca tem uma influência forte nos moradores da redondeza.. hehehe..
Apesar da chuva, estava tudo lindo e sob controle, até a gente passar por Diadema e chegar a São Bernardo, dando de cara com um engarrafamento do kct. Tudo parado.
Ficamos um bom tempo ali, até que o pessoal achou melhor eu e o Elcio ir seguindo pelo abençoado corredor. Só que o Elcio não conhecia aquela área, mas mesmo assim eles explicaram e lá fomos nós.
Bom, passamos por uns micro-corredores que eu não imaginava que Kashmir passaria! Mas não tinha jeito! O problema é que tinha dado uma zica com um caminhão, e uma parte de uma passarela estava suspensa por um guindaste, aí f*** geral. Mas isso nós vimos depois de se perder numas ladeiras do lado oposto de onde a gente deveria ter entrado. Mas depois achamos a via certa e rapidão chegamos ao Mc Café. Já era mais de 13h!
EPISÓDIO 10
Parabéns para o Pinto!
Finalmente pudemos cumprimentar o André Garcia (com o Pinto no meio, como JT gosta de lembrar!), que nos esperava com sua família há algum [muito] tempo.
Reencontramos a Alides, sua esposa, e seus filhos, que conhecemos no MM de Pira. Com energia de sobra, os três garotos prometem!
Batemos um papo por ali, explicamos a situação dos Panos e cia, enquanto os garotos filaram um lanche (e haja miniatura do Shrek!!). Segundo informações do André, JT e cia não compareceriam porque o alvará de soltura do João era suspenso em dias chuvosos! Uma pena!
A única coisa que eu gosto do McDonald’s, porque é a única que eu compro, é o sorvete de casquinha. Mas virei fã de carteirinha do capuccino do Mc Café! Meu, o que que é aquilo? Uma caneca enorme com muito, muito chocolate quente e cremoso, e aquele gostinho bem fraco do café! É maravilhoso! Tudo de bom.com.br!
Resolvemos comer no Bob’s que era ali na frente, e era mais lanche por menos preço. As crianças estavam animadas com o “2º tempo” – milkshake!
O pessoal tinha saído do engarrafamento, mas acabou caindo em outro em Jabaquara! Mas logo chegaram e ficamos contentes, unidos e alimentados para comemorar o aniversário do André.
Ainda voltamos no Mc para um café, mas a minha cota “alimentar” já estava preenchida. Dali seguimos para a casa do André, em Santo André (rimou!).
Não estava chovendo, mas estava friiiio!!! E constatei que uma coisa é certa: andar em SP é pra quem pode! O caminho, que pra eles que conhecem é simples, pra mim foi um tricô daqueles! Pistas, bifurcações, vira daqui, cruza dali.. Acho que rodei num dia tudo que não andei em SP nesses 3 anos de duas rodas! Mas enfim, chegamos, e com a mesma consideração o André e sua família nos recebeu em sua casa.
Chegando lá, conhecemos o Hans, que é lindoooo, e ficamos, nós e nossos neurônios, confabulando sobre motos (as crianças também, fanáticas!), e assistindo os vídeos da Motorsco e Alma Selvagem.
E agora a regra é a seguinte: pensou em cafezinho, simbora pra casa do André! É que ele ganhou uma máquina de café expresso de presente (e deixou o Mc Café no chinelo!).
Depois dos parabéns dos 53, ops, 35 anos do André e de um bolo indecente de delicioso, o Fernando e o Luciano tentaram afanar umas revistas de moto dele, e quando dei por mim já estava escurecendo! Isso deixou todos mais preocupados do que eu, que apesar do ar de cansada, estava sossegada (afinal, hoje é feriado aqui!). Mas chegou a difícil hora do parto (difícil não pelo caminho a retornar, mas pelos momentos sensacionais com todas aquelas figurinhas no fds, que iriam ficar nas fotos e na memória, enquanto a semana e a vida ‘normal’ recomeça).
EPISÓDIO 11
De volta pra minha terra
Despedida é fogo! Eu queria trazer o Davi pra casa comigo, e não sabia como agradecer a todos por tudo!
O André nos acompanhou até a saída (uma pra mim e o Elcio, que continuaria me guiando, e outra para os Panos e cia). Abastecemos e saímos com uma garoa bem fininha. O caminho estava movimentado, e demoramos pra sair de SP, retornando pelo mesmo trajeto da ida – centro, av. do Estado, Casa Verde, Marginal e Bandeirantes.
Felizmente a garoa parou, não choveu mais e eu tinha tudo, mas tudo pra me preocupar e me desesperar (isso já era quase 20h!).
Como eu já disse antes, o Elcio me inspirou tamanha confiança e segurança, que eu segui o caminho todo tranquilex. Posso dizer que teve horas de tensão, um trecho ou outro complicado, mas de forma alguma eu senti medo. Nem de dia com chuva, nem à noite com movimento.
Como eu falei pro Elcio, estive em ruas que já tinha andado [Santa Ifigênia, Aurora, Osório..], mas nunca imaginei que passaria por elas dirigindo a minha moto, ainda mais à noite! E é tudo tão simples!
É claro que eu não sou tresloucada de ignorar os perigos ainda mas loucos de São Paulo, mas as coisas são simples, sim! No mínimo, viáveis. Todos pintam o inferno do trânsito de SP, mas é preciso considerar a NOSSA parte no que diz respeito à segurança. Se todo mundo fizesse isso, a situação seria bem diferente, pra melhor.
Primeiro que eu estava com dois guias fora de série, um ali na minha frente, e outro ao nosso redor, no plano espiritual – sem o qual eu não abriria meus olhos, que dirá botar os pés pra fora de casa.
Isso pode parecer irresponsabilidade aos olhos de alguns, principalmente pelas “omissões” necessárias pra estar ali, mas todas as coisas têm as dimensões que damos a elas. Então pra quê complicar?
Eu sei que dizer que sei do meu limite pode ser insuficiente e vago, afinal muita gente proclama que sabe o seu limite, mas esse limite é passar por cima do outro. Então o que posso dizer é que não só as pessoas que estão ao meu redor e querem meu bem, mas eu mesma prezo a minha segurança, e ando com cuidado porque quero andar sempre. Como eu aprendi com o João, o melhor piloto é o que morre de velhice. Porque pode não andar por todos os lugares que queira, mas com certeza pode andar e aproveitar muito. E o que mais podemos querer?
Andei por esses lugares com a tranqüilidade de estar dirigindo em Limeira ou em Piracicaba – o que eu ganho em me martirizar com o que pode ou não acontecer? Desde que eu preze pela razão e pelo zelo à maior segurança possível, não tem porque se desesperar.
Além do mais, não é todo dia que eu posso ver as luzes de São Paulo, aqueles prédios que todos passam todos os dias e ignoram. Eu não vejo assim, e não quero ignorar. E isso tem um valor enorme pra mim, principalmente por poder ver através da viseira, e não pela janela do ônibus.
A única coisa que me deixou bem preocupada é que o Elcio insistia em me levar até o Serra Azul novamente, o que significava mais uma dupla jornada pra ele, ainda aquela noite. Tentei, insisti, mas não adiantou!
Se felizmente não choveu, o frio piorou. Minha luva se mostrou ineficiente pra isso (como se eu não soubesse!) e minha perna sentiu o drama com o gelo gradativo da pista, mesmo com duas calças e a capa. Devo agradecer à minha tia Vivi, que me deu o cachecol que usei pela primeira vez e me foi muito útil! No peito não senti frio, porque por baixo do paredão (a jaqueta de couro, batizei-a assim!), tinha 4 camadas de blusas grossas e de lã.
Talvez esse excesso de blusas tenha sido o único fator prejudicial no aspecto físico, do cansaço em dirigir. Afinal, a longo prazo pesa. Já as tensões foram passageiras e, digamos, “não cumulativas”, no sentido de me derrubar depois. Quanto à ergonomia da moto – tamanho, desconforto, vibração -, não tenho do que reclamar. Se eu falar que fiquei quebrada porque viajei com uma CG, pode ter certeza que tô mentindo. Acho que o costume, além da decisão de não me estressar com fatores externos contribuíram com isso. Lógico que se fosse qualquer outra moto de maior porte a situação seria bem melhor, mas não posso dizer que me sinto prejudicada fisicamente pelo porte da minha moto. Não posso dizer que não fiquei cansada, mas imaginei que ficaria numa situação enésimas vezes pior. Como aprendi com o João, a melhor moto do mundo é a nossa. E é mesmo!
Bom, chegando na Bandeirantes, só alegria. Eu diria que o movimento ali era razoável, mas na pista oposta, sentido capital, era até bonito de ver a linha luminosa da fila sem fim dos faróis dos carros. É claro que quem estava parado dentro deles não devia estar gostando nem um pouco...
Quando chegamos no Serra Azul, minhas canelas necessitavam uma pausa de tanto frio. Me arrependi de não ter levado uma luva de lã pra usar por dentro da de ‘couro’. Aí já era umas 21h, e fomos tomar um capuccino com pão de queijo. Aproveitei pra mandar uma mensagem pra minha mãe dizendo que eu estava a caminho, mas ainda demoraria um pouco, até porque paramos sem pressa por ali. Demos uma olhada naquela loja de roupas especiais e capacetes, coisa que tô pensando com muito carinho em investir no ano que vem. As jaquetas tinham algumas opções (excluindo-se a cor-de-rosa bebê, é claro!), mas os capacetes não tinham aqueeeeeles desenhos.
Dali eu me despedi do meu guia, cuja atenção, cuidado e companhia foram totalmente determinantes para o fds começar bem e terminar melhor ainda. Mais uma vez foi dura a dor do parto, mas eu e ele ainda tínhamos um longo caminho pela frente, cada um na sua direção. Simbora pra casa.
EPISÓDIO 12
Infinita Highway
Apesar de me recuperar um pouco do frio e faltar menos de 100km pra eu chegar em casa, essa última etapa não foi nada fácil.
A estrada não estava movimentada, não choveu, não tinha problemas de visibilidade, e eu conhecia o caminho, mas agora eu só contava com meu guia espiritual. Aí é que está: seguir uma estrada acompanhado faz toda a diferença. Além do mais, eu realmente estava cansada, até mesmo por causa do horário avançado, o que exigia atenção redobrada de minha parte. Ao contrário do que pode parecer, voltar ouvindo música me ajudou nesse quesito. Não só curtir meu rock, como cantar! Aliás, tentar cantar, porque minha voz estava cada vez mais ausente – como ainda está nesse momento!
E demorou. De certa forma me ‘acostumei’ com o frio, porque a preocupação com a atenção na pista acabou desviando minha mente deste incômodo – sim, é psicológico!!
Quando atingi a marca de 36 mil km da Kashmir, já estava em solo limeirense, ainda na Bandeirantes. É aquela coisinha que já escrevi aqui que não chamo de painel, mas de “minha história de vida”. Nunca fez tanto sentido!
Cheguei em casa às 23h, sem voz, mas com uma alegria sem tamanho. Guardei a moto no seu cantinho, esvaziei o baú mandei mensagem para todos avisando que tinha chegado àquela hora, bem.
Minha mãe fez algumas perguntas, tipo como foi, e se deu tudo certo, perguntou do frio e se eu tinha levado roupas suficientes, já que só tinha conversado com ela na véspera da viagem, e não no dia da minha saída.
Ela estava um tanto aliviada por eu ter chegado, mas absolutamente calma. Comentou que chegou a passar pela cabeça dela que eu poderia ter ido pra SP de moto, e achou melhor não ligar porque ficaria mais preocupada se eu não pudesse atender (o que geralmente acontece quando estou pilotando).
- Ah manhê, ‘cê acha?!
Efeito placebo funciona, sim senhor!
Epílogo
Na primeira e até então única vez que fui a SP guiando minha moto, com meu pai (ele na moto dele), pilotava há pouco mais de um ano (há dois anos atrás). Na época, achei que eu tivesse superado uma prova de fogo, por “sobreviver” a uma chuva violenta na marginal, na volta. Agora, apesar da chuva, do frio, da neblina, da distância, dos locais desconhecidos de dia ou de noite, não vejo do mesmo jeito.
Apesar de ter sido, também, um desafio pessoal, passar por essas situações nesses lugares acabaram sendo coadjuvantes em vista das pessoas com que estive, os momentos que passei, a forma como fui recebida.
Posso dizer que foi um desafio por ter sido a minha primeira viagem mais longa. Mas as horas inesquecíveis que passei na companhia de todos em Santos e em São Paulo tornaram esse fim de semana frio e chuvoso em um dos mais quentes que eu tive. É sim, calor humano. Posso dizer categoricamente que o Sol poderia ter dado um outro ar, mas não fez falta. Porque quem faz o tempo, bom ou ruim, somos nós.
Cada um pode escolher ficar debaixo da coberta assistindo tv, ou reclamar porque vai chover de novo no fds, ou sair pra viver. Todos temos nossas limitações físicas ou financeiras, mas pelas atitudes cada um pode tanto se enterrar no marasmo e conformismo como viver uma vida plena, aproveitando as coisas boas que existem.
Razão e responsabilidade determinam tudo. Mas ninguém precisa ser um responsável confinado!
Quando eu saí de casa às 7 da manhã do dia 13/09, Kashmir contava 35480 km. Quando pisei em casa novamente, no dia 14/09 às 23h, ela marcava 36016. Esses 536 quilômetros em dois dias significam milhões de coisas, menos um número, meramente.
Saí de casa com uma meta, com algo que precisava cumprir para um trabalho, mas a minha ânsia era a de estar novamente com todas aquelas pessoas, reencontrar, conversar, saber como vai a vida, beber, rir. E tudo, dessa vez, num contexto diferente pra mim. Mas o que eu trouxe de volta na minha bagagem extrapolou qualquer idéia mais audaciosa que eu pudesse ter acerca tanto do trabalho como do reencontro com estes amigos.
O que fica de síntese pra tudo isso é essa simples palavrinha: amigos. Eu posso agradecer a Deus porque eu posso dizer que não tenho amigos só na minha cidade, tenho amigos, amigos mesmo, em Santos, em São Paulo. Eles me receberam em suas casas, me deram atenção, se preocuparam comigo, cuidaram de mim. Nós rimos, conversamos, bebemos, comemos, brincamos, tiramos sarro. Por isso, no meu final de semana, eu não tive tempo pra choradeira por causa do mau tempo, nem tempo pra ter medo ou pensar o quão perigoso as coisas podem ou não ser. Eu estava ocupada demais cultivando amizades que estejam a 100, 200 km, não têm preço, e sempre estarão lá quando for necessário, assim como estarei aqui para eles.
A moto pode significar muito pra uma vida emocionante sim, mas isso não significa absolutamente nada sem responsabilidade e sem pessoas, amigos, para dar cor, para dar sentido à essas idas e vindas.
Eu posso afirmar o quanto aprecio motos, cada dia mais, não só por todas aquelas coisas lugar-comum do vento no rosto e da liberdade – que na verdade muita gente fala, mas só as pessoas sensíveis e responsáveis sabem o que realmente significam em sua essência. Mas aprecio principalmente porque o gosto por elas me proporcionou contatos que se transformaram em grandes amizades. A moto é importante, mas é um pretexto. O que vale mesmo são as relações humanas acerca dela.
Este trabalho, o livro, não é só um ideal acadêmico ligado a um gosto pessoal. Significa muito mais. E essas histórias que colhi também. São histórias dos outros que fazem a minha própria história, e dão sentido especial a ela. Em busca de histórias de vida, estou construindo a história da minha vida.
Então por hora faço novamente os meus sinceros agradecimentos a todos que da forma mais especial e fraterna me ajudaram a escrever mais um capítulo da minha vida, que com o apoio do nosso guia espiritual será o precursor de muitos. Obrigada, de coração!
P.S.: Como foram tirada quase 400 fotos, só da minha câmera e celular, vou inaugurar meu Flickr com as postagem delas, e colocar algumas aqui, assim que eu puder!

4 comentários:
SENSACIONAL!!! Parabéns!!!
Maravilhoso o seu relato, Daíza!
Saiba que vc agora tem uma "casa na praia" sempre que quiser vir, e se não quiser também, kkkkkkk...
É isso aí, esse é o verdadeiro espírito de um MONTONLINER: companheirismo, amizade, caráter, e principalmente o respeito. A moto é uma coincidência de gostos, hehehehehhe...
Parabéns! E eu que te agradeço pela excelente companhia no findi!
Beijos e sucesso!
Ana Pé de Pano
Daca. Meus parabéns pelo texto e pela coragem de encarar essa aventura. No futuro, seus filhos vão pedir umas 800 vezes pra você contar de novo.
muito lindo seu relato Daíza!!! fico feliz por ter feito parte dessa aventura e espero q esse passeio tenha despertado ainda mais o seu espirito aventureiro e que vc possa fazer muitas viagens e conhecer esse nosso imenso Brasil em duas rodas!!! como a Ana disse estaremos sempre de portas abertas pra vc aqui em Santos, um grande beijo pra vc.
Luciano
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